E Cedros Em Pó, Alternando Com Palmeiras 2

E Cedros Em Pó, Alternando Com Palmeiras

O casamento, pela solidão de teu quarto, empregado no trabalho de continuar a fazer filhos. Na realidade, o que eu escrevi no bloco de notas (“acabei de sair de um vídeo de John Le Carré”) era o efeito de uma imagem cuja visão teria de ficar gravada pela minha cabeça.

pensava no dia seguinte, no tempo em que me dirigia ao campo de refugiados de Jabaliya (um apêndice suburbial da cidade de Gaza), em procura da família de Abu Fahmi. Olhava a cidade que cresceu ao meu redor, uma geografia brusca e desagradável, cor de cimento, com as casas em meio a fazer (ou a um meio de desfazer), mergulhada nesta mistura de ruídos que caracteriza todas as cidades árabes. Contra o esperado, não cheirava a pneu queimado, e não se viam garotas atirando pedras.

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A alteração, tinha jóias, vitrines com sanitários coloridos, agências de turismo, escolas. E cedros em pó, alternando com o palmeiras. Caminho de Jabaliya, o som dos cláxones relatou e as ruas se fizeram cada vez mais pequenas e abaladas, como se estivessem umas dentro de outras, formando uma estranha geometria. Pelas janelas das casas penduradas em tapetes que pareciam ser línguas de trapo e na calçada os automóveis disputavam o espaço com os burros de carga. O esgoto escorria e as lojas de conveniência se anunciavam com fileiras de bananas e grandes cestas de fresones. Mas o que mais chamou minha atenção foi a densidade de graffiti.

Todas as paredes estavam pintadas com inscrições em árabe. Não uma, nem duas, todavia centenas, como uma interminável vainica que percorria ruas e praças, dobra as esquinas e conquistava o último canto livre. José Vericat, o português de Jabaliya. E não só a história passada: bem como recente, o tráfico de senhas que tornou-se tão famosa durante a primeira intifada, e que neste momento ficou como símbolo de comunicação imediata. Abu Fahmi não estava em moradia.

Na realidade, Abu Fahmi quase nunca estava em casa. Seu serviço como motorista de um funcionário do parlamento lhe abocaba a transportar uma vida desajustada, sem horários. Em seu ambiente, havia outros homens: cunhados, irmãos, cunhados, vizinhos de cunhados. Andavam achicando água do pátio (entenda-se como um eufemismo: o pátio era um anão espaço sem teto de empregada) e apontavam os estragos que a chuva causou em 2 quartos de habitação precária. Numa daquelas quartos estava ela, a esposa: Fouz.

vi-O por intervenção de um ventanuco grade que dava pro quintal: era pra cozer pão em um fogão e levantou o enxergar pro saudar. Eu era tua convidada. Pouco pude fantasiar, desta forma, que Fouz, fragmentando o silêncio imposto por tua timidez, chegaria a fazer-me confissões íntimas com o atravessar dos dias.

Foi tudo muito rapidamente: as saudações de boas-vindas, os sorrisos, a curiosidade. A residência começou a encher-se de garotas, maiores, mais menores, mais regulares. Meu esforço em decidir quais as moças pertenciam à família de Abu Fahmi era inútil. O campo de refugiados de Jabaliya era como uma interminável cadeia de parentes e vizinhos pros que nunca foram fechadas as portas.

eu Aprendi o nome de Zuzu, a filha mais velha, uma jovem expansiva e cheia de quilos. Zuzu não necessitava de um tradutor: ele entendia a hospitalidade, a estima, a vontade de visualizar gente nova. Nos fez café, e depois de chá, e depois mais uma vez café e mais uma vez o chá. Puxou uma cadeira para o pátio e a pôs ao sol para que nos calentáramos os pés. A mãe finalizou de assar o pão (a pita árabe, redonda e plana), fritou batatas, abriu o pão e nos ofereceu um saboroso sanduíche de batatas fritas.

dessa forma, eu havia conseguido fiat fez alguns nomes, que vale mais protagonismo ao longo da nossa estadia: Zuzu, a maior, Yassar, a mediana, Fahmi, o primogênito dos homens. E Maha, a pequena da moradia, uma bolinha de 9 meses, que mostrava tua voracidade, levando à boca tudo o que pillaba pelo chão. Mais tarde conheceu a Jamila, a filha casada, e Mohamed Ali e Uziel. Oito no total. Que desarrumação de nomes. Pinga. O pátio da residência inunda quando chove. Também as alcovas: a água se infiltra pelas feridas que os bombardeios deixaram no telhado de empregada.

Voltou a chuva e Fouz nos refugiou-se no quarto onde antes a tinha visto cozendo o pão: um cuartucho sujo com um transtorno, uma tv e um armário frágil, em que se apelmazaba a roupa de todos. Era o quarto do casal, que assim como servia de sala de estar (novo eufemismo: naquela residência “estava”, onde se podia, ou melhor, onde se podia).

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