Paixão E Tragédia Russa De A Bela Lina Prokofiev 2

Paixão E Tragédia Russa De A Bela Lina Prokofiev

Foi uma sexta-feira de manhã, quando o telefone tocou pela moradia parisiense de Lina. Ainda trazia pela mão a tigela de café fumegante do que improvavelmente se separava, quando levantou o fone de ouvido pra responder. Pensou que seria de Portugal, pra relatar que haviam achado a certidão de nascimento de teu pai. Ao atender o que a sua amiga Joan Downes tinha que manifestar nem ouviu como a xícara de porcelana é estrellaba contra o chão.

A notícia lhe roubou o fôlego. O traçado das letras de essa confissão íntima e dolorosa, correspondia-lhe a ela e a ninguém mais. Mas essa parcela de intimidade, mesmo que fosse a chave de por que uma história de carinho se viu perturbada por acontecimentos históricos do século XX, de luzes e de sombras, lhe pertencia só a ela. A aeronave que levava a madrid desde Paris até Londres pra tentar parar o leilão dos manuscritos, a memória de Lina ia mais velocidade que os batimentos de teu coração.

  • Registado em: 04 fev 2014
  • Escreve, a respeito de outro papel, o nome de tua esposa
  • Como Você Ficou (Edilberto Daza)
  • “FU” – 3:42
  • Por algumas Aventuras do Capitão Torrezno

Estranhou a mão de Sergei apertando a tua, pra infundirle sensatez, como costumava fazer antes de cada lançamento, no momento em que as luzes do teatro se apagavam. Fechou os olhos pra tentar fazer com que as memórias não começarem a doer muito, já que neles havia encontrado a única razão pra continuar vivendo. Abandonada em tuas lembranças, ele podia olhar o sol, regar de iluminação Notre Dame. Foi comemorando o novo ano de 1924 em uma mesa de Prunier, um dos melhores restaurantes de Paris, onde mais tarde dividiríamos próximo Hemingway uma referência de ostras acompanhada de umas taças de Sancerre.

Coco Chanel tinha explicação. A memória é feminina. Quando os dedos de Prokofiev começaram a percorrer o teclado do incrível Steinway que presidia o palco, interpretando o Concerto para piano nº 1, Lina começou a tremer, entrando em uma tensão desconhecida pra ela. Não tinha ouvido nada igual em sua vida, como também não tinha visto interpretar de uma forma tão veemente. Quando a música cessou e Prokofiev retirou de repente as mãos do piano, a sala explodiu.

Lina não conseguia parar de aplaudir até que sentiu como os olhos azuis dele escavadas pela dos seus. Por um instante, o mundo se concentrou nessa olhar. Serguei e Lina, tornaram-se inseparáveis. A princípio, viveram a sua história de afeto na clandestinidade, no entanto não tardaram em deixar-se acompanhar as festas, os shows, convertendo-se o casal mais procurada da existência social na cidade de nova york. Todos queriam apresentar com eles, especialmente com Lina. O apelo da jovem espanhola começava a ser o conteúdo mais comentado nos círculos artísticos de Nova York.

Todos queriam conhecê-la, notar de perto a tua formosura latina, ter a circunstância de estabelecer uma discussão com a misteriosa espanhola e até já ouvir outras de suas interpretações vocais pra quais tal se preparou. Em Paris, Lina, viveu o teu momento mais feliz. A vida do casal em Paris era plena e os sucessos dele aconteciam por toda a Europa e EUA. O governo russo não parou de enviar emissários a França com o único intuito de convencer Prokofiev.

A ordem de Stalin em 1936, era ter satisfeito ao recém-recuperado compositor. Estreias, montagens, shows, inclusive a própria Lina fez suas apresentações em rádio e teatro. Mas, pouco a pouco, a União Soviética se tornou um sussurro incessante tenebroso fundamentada pela intriga e as delaciones, embora Serguei continuava sem desejar ouvi-lo. Só lhe interessava o que saía de teu piano. Nem mesmo a prisão e desaparecimento de amigos e companheiros, que lhe fez analisar a sua decisão de permanecer em Moscou.

Quando quis oferecer ouvidos às súplicas de Lina, pedindo que deixassem a nação, neste momento foi demasiado tarde. Lina foi pra prisão. Os acontecimentos se precipitaram. Serguei abandonou a família para comparecer com sua nova vitória pra surpresa de todos. Diante da possível entrada das tropas alemãs em Moscou, o governo de Stalin evacuou uma enorme parte dos artistas ao Cáucaso. Se tentassem corriam o traço de serem presos, torturados e enviados pro gulag, tanto eles como seus familiares. Foram oito anos que passou Lina no gulag.

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